Carta ao Papa

“O Confessionário não é você, oh Papa, somos nós; entenda-nos e que os católicos nos entendam.// Em nome da Pátria, em nome da Família, você promove a venda das almas, a livre trituração dos corpos.// Temos, entre nós e nossas almas, suficientes caminhos para percorrer, suficientes distâncias para que neles se interponham os seus sacerdotes e esse amontoado de doutrinas afoitas das quais se nutrem todos os castrados do liberalismo mundial.// Teu Deus católico e cristão que, como todos os demais deuses, concebeu todo o mal: 1°. Você o enfiou no bolso.// 2°. Nada temos a fazer com teus cânones, índex, pecado, confessionário, padralhada, nós pensamos em outra guerra, guerra contra você, Papa, cachorro.// Aqui o espírito se confessa para o espírito.// De ponta a ponta do teu carnaval romano, o que triunfa é o ódio sobre as verdades imediatas da alma, sobre essas chamas que chegam a consumir o espírito. Não existem deus, Bíblia, Evangelho; não existem palavras que possam deter o espírito.// Nós não estamos no mundo; ó Papa confinado no mundo; nem a terra nem Deus falam de você.// O mundo é o abismo da alma, Papa caquético, Papa alheio à alma; deixe-nos nadar em nossos corpos, deixe nossas almas, não precisamos do teu facão de claridades”.

[Lembrei do belíssimo míssil anticlerical escrito por Antonin Artaud (tradução de Claudio Willer) por ocasião dos inacreditáveis textos de José Lorêdo de Souza Filho & Ronald Robson acerca da última edição da revista Pitomba!. O primeiro faz um apanhado didático das tecnologias de tortura aperfeiçoadas pela Igreja Católica p/ sugerir o que ocorreria c/ os editores da desprezível (superficial, gratuita & desrespeitosa) publicação em tempos mais sérios do que este em que vivemos. Uma verdadeira pérola do espírito penitente, coroada c/ a sugestão de que nosso vil panfleto seja levado a ninguém menos que o Arcebispo Metropolitano de São Luis, “para que S. Exa. tome conhecimento [de sua] natureza odiosa”. O segundo, bem, este nos admoesta a “orar c/ o coração na mão” & a que nos penitenciemos ante a História da Arte. Também esmiúça as razões de nossa inconsistência, incoerência & irrelevância, ao que eu faria apenas uma correção, a de não termos nada a ver c/ modernismos mas talvez c/ o punk, coisa ainda mais grosseira. Aqui & ali têm pintado comentários, réplicas &tcéteras, de minha parte julgo alentador que alguém tenha se ofendido c/ uma revista dedicada a proporcionar o máximo de diversão possível através do maior número possível de provocações — & isso basta. Tudo, enfim, tem rendido fartas risadas, às quais se seguirão outros números ainda piores, aos trancos & barrancos]

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