O filósofo Henri Bergson se pronuncia sobre os quadrinhos de Grant Morrison

“O que se tornaria a mesa sobre a qual escrevo nesse momento se minha percepção, e, por conseguinte, minha ação, fosse feita p/ a ordem de grandeza à qual correspondem os elementos, ou antes, os acontecimentos constitutivos de sua materialidade? Minha ação seria dissolvida; minha percepção abarcaria, no lugar em que vejo minha mesa & no curto momento em que a olho, um universo imenso & uma não menos interminável história. Ser-me-ia impossível compreender como essa imensidão movente pode se tornar, p/ que eu aja sobre ela, um simples retângulo, imóvel & sólido. O mesmo valeria p/ todas as coisas & p/ todos os acontecimentos: o mundo em que vivemos, c/ as ações & reações de suas partes umas sobre as outras, é aquilo que ele é em virtude de uma certa escolha na escala das grandezas, escolha que, por sua vez, é determinada por nossa potência de agir. Nada impediria outros mundos, correspondendo a uma outra escolha, de existirem c/ ele, no mesmo lugar & ao mesmo tempo: assim é que vinte estações emissoras diferentes transmitem simultaneamente vinte concertos diferentes, que coexistem sem que nenhum deles misture seus sons à música do outro, cada um sendo ouvido por inteiro e sendo o único a ser ouvido no aparelho que escolheu, p/ a recepção, o comprimento de onda da estação emissora”.

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