Dub, pensamento

Não havia me dado conta, até recentemente, de que p/ mim o dub há tempos tem um sentido de matriz epistemológica, uma experiência do sujeito no material de trabalho que sugere bem alguns atributos decisivos p/ o modo como eu gostaria de raciocinar.

Um modo de raciocinar, não uma forma, sequer há uma forma. Embora fortemente enraizado num gênero, embora difícil & sem sentido compreendê-lo fora da frequência sensível do reggae, o dub é mais uma abordagem à música que um tipo de música. Sua alquimia consiste na livre disposição dos elementos sonoros, do multiverso em se relacionam, configurando um cosmo diverso do diagrama original da música.

Síntese & análise; não por acaso há no dub vocativos como Scientist ou Mad Professor, os versos de Lee Scratch Perry, “I’m a psychiatrist/ I am a doctor/ I’m a soul reactor”; a vocação p/ a pesquisa de timbres, ritmos & aí está, qualquer coisa pode dar um dub – o que também significa que tudo pode ser entendido, formulado doutra maneira & reciprocamente tornar mais complexa a malha do pensamento que lhe corteja, & que vai se fazendo na temperatura do contato.

Questão de tempo até eu passar a apenas ver sentido na crítica quando consegue esse tipo de intervenção no texto original, quando faz explosivos a partir do explosivo, quando é a primeira a explodir, ao invés de ficar julgando méritos c/ regras imaginárias. Que compromisso tem qualquer autor c/ minhas preferências? & por que eu desejaria impor um modo de ver a uma obra, que por certo enxerga por si própria? Melhor prestar atenção ao que dizem, autor ou obra, ver se bate, se há ocasião p/ polinizações cruzadas; melhor ainda, p/ o arrebatamento.

Em mim o desejo crítico sempre nasce da brecha p/ uma experiência, do aprendizado produtivo dalgum modo até então desconhecido de configurar o mundo. É um desejo de saber movimentar o arsenal, de um pensamento que saiba p/ que servem as obras ou que as saiba fazer funcionar nos lances de agora, não que as arrume bem na estante do repertório.

A mesa de som é a mesa de operações na qual pesquisa é experimentação & desconhecido é o que ainda se há de experimentar – não esquecendo que a ocasião nasceu de uma necessidade, de problemas a que se reage sendo livre, dançando, sem nunca parar de dançar.

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